Sábado, 13 de Outubro de 2007
Em tempos em que viajar de avião entrou para a categoria pesadelo moderno, era de se esperar que Camila Pitanga chegasse do Rio com algum mau humor na bagagem. Mas, apesar do atraso das aeronaves, ela desembarcou linda - é claro - e leve, sem aparentar nenhum resquício de cansaço ou estresse. Andando pelo aeroporto de Congonhas, de longe poderia ser confundida com uma bailarina, um pouco pelo wrap dress de jersey e pelas sapatilhas pretas, e muito pelo porte altivo, que ela afirma ter conquistado depois de dois anos de ioga, mas que parece ter nascido com ela, tamanha a espontaneidade com que se revela. Nas mãos carregava um trench coat, porque, de acordo com suas palavras, "em São Paulo sempre chove", e o último exemplar da revista Piauí. Apesar de apreciar a leitura, confessa que portar uma revista também é estratégia para driblar o assédio de estranhos. Tímida, aprendeu que basta fixar o olhar num texto para fazer com que um possível interlocutor mude de idéia e se afaste. Bebel, a estonteante garota de programa de Paraíso Tropical, é, de longe, o papel de maior destaque de Camila Pitanga. "Parece que todo esse tempo ela esperava uma oportunidade como essa. Maravilhosa, mostrou que estava pronta para extravasar todo o seu potencial dramático, indo muito além das mocinhas de bom carácter que encarnou muito bem até agora", afirma Gilberto Braga, um dos autores da novela. "Acho que todo profissional busca desafios ao longo da vida. Não sou diferente", tenta minimizar Camila. Vi nela uma oportunidade para me reinventar. Ela é quase meu espelho ao contrário. Trabalhei muito para que fosse assim. Tive que me desconstruir, deixar de lado minhas mãos posadas, abandonar minha postura alongada." Fora do set o resultado de tamanho esforço reflecte-se na sua personalidade. Depois de conversar com a actriz, fica fácil concordar com ele.
Incursão pela maldade
"Sou uma pessoa suave, na minha. Falo baixo, detesto gritos. A Bebel me obriga a explorar uma faceta mais forte. O personagem foi muito bem construído pelo Gilberto [Braga, um dos autores da novela ao lado de Ricardo Linhares]. O que mais me chamou a atenção, desde o início, é que ela tem uma auto-estima invejável. Pode estar na pior situação, mas a sua crista não se abaixa. Trabalhei à beça para dar vida a ela. Me preparei como se fosse para o teatro com o mesmo time que me acompanha há anos: Camila Amado, professora de interpretação, Ângela Herz, de expressão corporal, e Márcia Feijó, de voz. Com elas experimentava as cenas, explorava os caminhos que poderia seguir. Tudo na Bebel é exibido, exacerbado - quase o meu oposto. Ela chega e acontece. Fala alto, num tom mais grave do que o meu, rebola, pisa forte. Eu chego aos lugares de mansinho."

Peso da fama
"Comecei a trabalhar muito cedo [com 16 anos, na minissérie Sex Appeal]. Fiquei famosa ainda garota. O que evitou que ficasse deslumbrada foi o facto de ter acompanhado de perto a carreira do meu pai [o ator Antônio Pitanga], com todos os seus sucessos e fracassos. Isso contribuiu para que me tornasse muito exigente comigo mesma. Não me perdoava quando errava uma fala ou um posicionamento em cena. Minha autocrítica era embotadora, uma armadilha que me impedia de ser feliz. Hoje eu me jogo em cada trabalho. Tenho o prazer da conquista e de defender as minhas opiniões. Acho que isso é amadurecer, né? Aos poucos percebi que toda exigência é boa até o momento em que você consegue se liberar dela."

Momento mini
"Gosto de moda, de roupa, de me ver bonita e de conversar com estilistas como Giselle Nasser, Fause Haten, Gloria Coelho e Clô Orozco. As roupas de época são as que mais me seduzem. O período com que me identifico são os anos 30. Se você abrir meu armário vai ver que a maioria dos cabides é ocupada por vestidos. Eles fazem com que eu me sinta mais feminina. Adoro os longos informais para o dia. Há pouco tempo comecei a explorar os comprimentos mais curtos. Finalmente caiu a ficha. Tenho 29 anos e esta é a hora de aproveitar a minha idade. Daqui a uns 20 talvez fique difícil deixar as pernas de fora."

"Aos poucos percebi que toda exigência é boa até o momento em que você consegue se liberar dela."

No campo de ataque
"Outro dia estava conversando com um amigo meu que é arquitecto e chegamos à conclusão de que nossas profissões são extremamente parecidas. Temos que pensar antes de ir a campo, definir material, optar por um determinado estilo. Respeito, mas não concordo com gente que pensa que actuar é entrar em cena no peito e na raça. Que basta o director gritar 'gravando' para a história acontecer. Quanto mais repertório você levanta, maior a sua chance de acertar. A intuição funciona em um número limitadíssimo de actores. É como a velha piada sobre o escritor que para preencher uma página em branco precisa de 5% de inspiração. Os outros 95% são transpiração. Gosto desse processo preparatório. Para a novela, li desde o livro da Bruna Surfistinha [O Doce Veneno do Escorpião] até teses de doutorado sobre prostituição. Visitei boates, ONGs, entrevistei mulheres e travestis. Quando cheguei para gravar, estava pronta para actuar da maneira que o director quisesse. Se fosse um jogo de futebol, poderia jogar em qualquer uma das onze posições [risos]."

Com filtro
"A minha pele melhorou muito depois que passei a usar maquiagem com filtro solar, como a base da marca Avène, que aplico todos os dias. Não ligava a mínima para aquele ritual de limpar o rosto, mas hoje faço tudo da maneira como a dermatologista recomenda. Aplico demaquilante com água termal e depois lavo o rosto com sabonete líquido."

Magreza disciplinada
"Emagreci, sim. Queria ficar mais à vontade para a novela, mas não pergunte quantos quilos eu perdi. Sou como qualquer mulher, me preocupo se o corpo vai ficar legal dentro de um maiô e a Bebel usa muito menos do que isso em cena. Na verdade não fiz nada mirabolante. Todo mundo está sempre em busca de uma dieta nova, de um aparelho novo. Não adianta. Fiz o convencional. Busquei o acompanhamento da minha nutricionista, Regina Sarmento, que é da minha linha e me passou um cardápio sem maluquice, sem remédio e totalmente natureba. Também intensifiquei a actividade física. Alterno aulas de ioga, hidroginástica, pilates e participo de um grupo de corrida duas vezes por semana.
Acordo às 6 da manhã para dar conta de tudo e adoro. Em vez de dizer que estou magra, acho melhor dizer que estou 'disciplinada'."

Novo padrão
"Navegando contra a maré, quando todo mundo quer o fio liso, estou amando o meu cabelo o mais cheio possível. O corte [assinado pelo cabeleireiro Jorge Zambotti, de São Paulo] ajudou muito, porque não sou naturalmente cacheada. Para modelar uso um gel, o Curls Rock, e às vezes seco com o difusor para conseguir um efeito mais armado. Queria que a Bebel tivesse um visual mais forte, remetesse a um leão. Talvez isso contribua para diminuir um pouco o estereótipo de que cabelo liso é igual a sucesso."

Muito natural
"Nunca fui do tipo que gosta de muita exposição e, desde que me casei, passei a valorizar cada vez mais a minha privacidade. Meu programa preferido é ficar em casa. Também aproveito muito a natureza do Rio. Corro em volta da Lagoa ou no calçadão, vou à praia, às Paineiras, uma área linda e cheia de cachoeiras que fica na floresta da Tijuca. Levo a família, convido os amigos, faço um evento à minha maneira. No caminho vou ouvindo muita música. Ligo o rádio e me divirto com o som que estiver rolando na hora."

Bom exemplo
"No final de Belíssima falei numa entrevista que tinha vontade de ser mãe. É incrível como uma afirmação que seria normal para qualquer mulher acaba virando uma grande cobrança. Resolvi por vontade própria adiar um pouco esse sonho. Meu instinto maternal é forte e tenho um exemplo lindo, vindo do meu pai, que ficou com a guarda dos filhos depois que se separou de minha mãe [a actriz Vera Manhães]. Mesmo trabalhando muito, ele sempre conseguia estar presente. Me levava para a escola, fazia meu mingau, conferia as lições. Estava sempre no comando e, ao mesmo tempo, sempre nos deu muita independência, a mim e a meu irmão, Rocco. Hoje isso é comum, mas naquela época, totalmente atípico. Quero desenvolver esse mesmo tipo de relacionamento com meus filhos."


publicado por Tititi às 17:51 | link do post | comentar | favorito

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